Dança VI
Não se pode viver dividido. Não posso ser uma coisa em casa, outra coisa quando estou com os amigos, outra coisa com os colegas e ainda outra coisa com os meus alunos. Eu sou uma pessoa só e não tenho diferentes personalidades nem sofro, felizmente, de nenhuma perturbação de personalidade.
Mas é verdade também que este processo de integração dos vários papéis que desempenhamos na vida pressupõe, a meu ver, um processo de crescimento que nem sempre é fácil ou isento de sofrimento e dúvidas. Também eu tenho passado por elas. Como diz C. Day (2004, p. 92) a identidade do professor faz-se através da mente, do coração e do corpo e é um processo em mudança, implica adaptações que têm a ver com a idade, a experiência profissional, mas também com o grau de envolvimento com a experiência na Escola.
E vejo-me como um professor apaixonado. Quando no início deste mestrado nos pediram para nos caracterizarmos numa palavra, foi exatamente a palavra paixão que eu escolhi, porque acho que sem paixão esta profissão não faz sentido. Vivo apaixonada pela música e pelos meus alunos. É na sala de aula que me sinto bem, vejo a vida e as relações humanas neste prisma de dádiva e entrega ao que vale a pena. Tenho aprendido que a emoção é boa na minha sala de aula. Tenho verificado que o comprometimento e os laços com os alunos, sendo difíceis de gerir, são bons, desejáveis e trazem vantagens a todos. A paixão e o comprometimento são realmente promotoras do sucesso e da auto-eficácia (Day, 2004, p. 99)